Em 63 a.C., Tito Labieno era um tribuno da plebe, fortemente ligado a Pompeu. Caio Júlio César também estava aliado a Pompeu, e ocasionalmente auxiliaram-se mutuamente. Estas interações viriam a formar a semente do que seria a amizade entre Labieno e César.
Sob a instigação de César, Labieno acusou o senador Caio Rabírio por alta traição (perduellio), após o assassinato do tribuno Lúcio Apuleio Saturnino, em 100 a.C.. O propósito deste julgamento seria o de colocar em descrédito o "último decreto do senado" (senatus consultum ultimum), uma medida de emergência do senado utilizada comumente contra os populares e as assembléias romanas. Labieno utilizou-se do antiquando processo dos duumviri, utilizado no início da República Romana, contra Rabírio. O procedimento passava por cima das leis criminais normais e Rabírio passaria a ser julgado sem qualquer defesa. Como os tribunos eram sacrossantos, o ato de matar um deles era visto como um ato contra os deuses; a punição do culpado era vista mais como uma maneira de purgar o delito e apaziguar as divindades: a morte era vista como tamanha impureza que um julgamento normal era desnecessário, e a purgação imediata era necessária para se evitar a ira divina. Os duumviri recebiam o encargo de acusar, sob a alegação de culpa óbvia, e purgar o culpado através da flagelação.
Rabírio apelou e Cícero falou em sua defesa. No entanto, antes que o senado pudesse votar, Metelo Céler utilizou-se de seus poderes como áugures para alegar a visão de maus presságios e retirar a bandeira que voava sobre o Janículo, o que adiou o julgamento. Rabírio acabou sendo condenado ao exílio, já que não tinha meio de pagar a multa enorme à que fora condenado.3
No mesmo ano, Labieno realizou um plebiscito, que retornou às eleições dos pontífices ao povo; isto assegurou, indiretamente, a eleição de César para o cargo de pontifex maximus.4
Mais soldado que político, Labieno utilizou-se de seu cargo como o caminho para assegurar posições mais elevadas na escala de comando militar. Após seu mandato como tribuno, Labieno serviu como legado de César na Gália.